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Especial CCXP 2016: MÁRIO CAU

Olá, Marmotas!

Continuando a nossa série de entrevistas especiais com alguns dos artistas que estarão expondo seus trabalhos na CCXP 2016, temos a alegria de trazer esse papo super bacana com o grande quadrinista e ilustrador, Mário Cau!

Um artista compulsivo e multitarefa: desenha desde sempre e nunca parou. Acredita nas Histórias em Quadrinhos como forma poderosa de comunicação, expressão e arte: são sua linguagem e sua voz. Começou sua produção autoral com a série Pieces, sobre os pequenos momentos cotidianos, convidando o leitor a uma reflexão sobre os mesmos. Pieces foi indicada ao Troféu HQMIX (Publicação Independente de Autor e Desenhista Revelação).

Participou dos projetos MSP 50 e Mônica(s), em homenagem aos cinquentenários de carreira de Maurício de Sousa e da personagem Mônica, respectivamente, e da exposição e livro Ícones dos Quadrinhos.

 Ilustrou a adaptação para HQs de Dom Casmurro, de Machado de Assis, com roteiro de Felipe Greco. Obra contemplada com o edital ProAC, e publicada pela Devir, Dom Casmurro venceu o Prêmio Jabuti em 2013 nas categorias “Ilustração”, em segundo lugar, e “Livro Didático e Paradidático”, em terceiro lugar; e também foi premiada com o Troféu HQMIX, em 2014, na categoria “Adaptação para Quadrinhos”.

Mário, quando você descobriu ou decidiu que gostaria de trabalhar com ilustrações e quadrinhos?

Desde muito pequeno eu desenhava compulsivamente. De verdade, o tempo todo! E desde muito cedo eu tinha a noção de que eu poderia trabalhar com isso. Não sei dizer quando foi que eu descobri que isso também poderia ser trabalho, mas nunca mudei de ideia a minha vida toda: sempre quis ser quadrinista e ilustrador, contar minhas histórias, participar desse meio incrível. Ser professor, palestrante, etc, veio com o tempo, hehe.

Você é um artista que já ganhou vários prêmios e publicou MUITAS obras de sucesso em diferentes meios. Se você pudesse escolher um momento de sua carreira como o “mais importante”. Qual seria?

Uau, eu não sou bom em escolher coisas! Sou muito indeciso, haha. Mas devo dizer que eu tive, sim, muitos momentos importantes na minha carreira. Mas umdos mais importantes foi, sem dúvida, ganhar o HQMIX e o Jabuti em 2013. Foram três prêmios (e maisalgumas indicações) para Dom Casmurro e Terapia, dois projetos de HQ que eu fiz com a maior paixão do universo e sem esperar nada em troca. Em ambos os projetos, eu e meus parceiros encaramos a produção de HQs longas, complicadas, sem financiamento, e que se tornaram grande sucesso. Sou muito grato aos meus parceiros, aos leitores, ao ProAC (que ajudou a financiar o Casmuro).

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Essa pergunta é muito clichê, mas não posso deixar de fazê-la: Imagino que ele deva variar bastante, mas geralmente, como é o seu processo de criação?

Depende, varia muito de trabalho a trabalho. Eu sou old school, gosto de desenhar no papel, usar pincel e nanquim pra finalizar. Mas ultimamente ando desenhando muito no digital, também. 80% do meu livro novo é digital. Toda a arte final de Quando a noite fecha os olhos (2014) foi digital. Eu acho que o importante é encontrar caminhos e técnicas que auxiliem e otimizem o processo do artista, e não ser desorganizado. Quer dizer, eu até faço minha bagunça com tintas às vezes, mas é importante que seu workspace seja organizado e seus processos internos, também.

Normalmente sigo o padrão: ideia, sinopse, argumento, roteiro, thumbnails, lápis, arte-final, cores, balões… E, como tenho uma proposta experimental (especialmente com o Terapia), sempre tem algumas etapas a mais nesse meio.

Como você avalia o mercado de quadrinhos nacionais independentes? Apenas diferente, ou muito distante dos outros?

Não entendo o mercado independente brasileiro como algo diferente de outros mercados. Existem ,claro, diferenças, mas no fundo é tudo quadrinho, tudo é autoral se não for republicação de material gringo. Outros países, com seus respectivos mercados, são diferentes do nosso, mas existem questões culturais, econômicas, editoriais envolvidas.

Acredito que vivemos ascensão constante da produção de HQ de qualidade no Brasil, e isso nunca se restringiu às editoras. Na verdade, acredito que os autores não precisam de editoras se puderem encarar toda a produção e pós-produção sozinhos. É uma baita experiência, engrandecedora pros autores. Acho muito válido começar a publicar de forma independente ou na web antes de sonhar com projetos enormes e complicados saindo por editoras.

E para a CCXP 2016? O que as nossas marmotas poderão encontrar por lá?

Estarei na mesa E-04 do Artist Alley! E terei meu novo livro, o lançamento com a Jupati Books: Pieces – Partes do Todo (link direto para a compra da obra, clicando na imagem abaixo!), uma edição inédita da minha série de histórias curtas sobre a poesia do cotidiano. Além disso, terei meus outros livros: Quando a Noite Fecha os Olhos, Morphine, Terapia, etc. E prints, claro!

Para encerrar, qual conselho você daria para que está começando agora? Mande uma mensagem para o seu público!

Galera, acreditem nos seus sonhos, mas coloquem metas, estudem muito, produzam muito, não se deixem derrotar. A mistura da paixão empolgada com a técnica e o preparo é essencial. É muito comum pensarmos grande, querermos já estourar logo com uma baita projeto épico, mas a ideia é sempre começar a produzir o que você dá conta de produzir. Seja honesto consigo mesmo, faça seu melhor sempre. Desenhe, estude, leia, pesquise, amplie seus horizontes.

É isso ai, marmotas! Fiquem ligados, pois ainda tem muito mais!

Profundo conhecedor da resposta para a vida, o universo e tudo mais. Realizou seus estudos em Hogwarts, logo após retornar de uma viagem realizada em uma galáxia muito, muito distante. Adora café, nerdices e bater um papo emocionante com o Sr. Spock.

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